segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O que acontece quando você entre em contato físico com outra pessoa?






O que acontece quando você entre em contato físico com outra pessoa?

Por Ailton Amélio
 
O contato físico entre as pessoas tem diversos significados e efeitos profundos. Neste artigo vamos examinar alguns desses significados e efeitos.
O contato físico tem efeitos poderosos e fáceis de constatar. O contato é capaz de provocar fortes reações positivas e negativas. Para constatar isso, basta imaginar como você sentiria caso fosse tocado de uma forma íntima, sem nenhuma justificativa, por estranhos. O contato físico pode ter um forte impacto mesmo que tenha acontecido de forma não intencional ou acidental.

Interpretação dos motivos dos contatos físicos

Os efeitos dos contatos físicos dependem, em grande parte, da interpretação dos seus motivos. Dependendo das justificativas, um mesmo ato pode ser extremamente traumático ou pode ser relativamente inócuo, mesmo que aconteça em uma região muito íntima, como é o caso, por exemplo, do exame ginecológico. Esta relatividade dos impactos deste tipo de contato pode ser resumida pela frase: “Mais importante do que o fato é a sua versão”.

As interpretações e as reações ao contato físico são extremamente dependentes de outros fatores tais como: a natureza do toque, área do corpo tocada, duração do toque, frequência do toque, contexto do toque (circunstâncias nas quais o toque aconteceu), quem toca e quem é tocado (sexo de quem é tocado e sexo de quem toca, natureza do relacionamento entre quem toca e quem é tocado, tipo e estágio do desenvolvimento do relacionamento).

As culturas possuem estatutos que padronizam a forma de interpretar muitos tipos de contatos físicos e suas circunstâncias. A cultura e a história pessoal podem alterar, até certo ponto, os significados, os usos e os efeitos destes contatos.

É provável que existam propensões inatas que ajudam a determinar os efeitos de boa parte dos contatos físicos. Por exemplo, os contatos físicos sexuais têm forte impacto em quase todas as culturas. Em todas culturas, estranhos se tocam menos do que conhecidos, casais em início de relacionamento se tocam mais do que pessoas não relacionadas; todas as crianças precisam de contato físico para apresentar um desenvolvimento psicológico saudável.

Tipos de contato físico

Existem muitos tipos de contato físico. Os principais deles são os seguintes: apertar as mãos, abraçar, beijar, carícias, dar palmadas, lamber, segurar, guiar, esbofetear, esmurrar, beliscar, sacudir, enlaçar, chutar, catar e espremer (espinhas, cravos, etc.).

Desmond Morris (1977) identificou os seguintes tipos de contato físico:
1- Aperto de mão, 2- Orientar o caminho tocando alguma parte do corpo, 3- Tapinha, 4- Dar o braço, 5- Abraçar o ombro, 6- Abraço completo, 7- Dar as mãos, 8- Abraço pela cintura, 9- Beijo, 10- Mão na cabeça, 11- Carícia, 12- Cabeça com cabeça, 13- Apoio corporal, 14- Ataque provocativo.

Este autor denominou estes contatos físicos como “signos de ligação” porque eles assinalariam a existência de algum tipo de relacionamento entre os dois participantes.

Cada um destes tipos de contato físico admite uma série de variantes. Por exemplo, um 
aperto de mão pode ser forte, demorado, sacudir muitas vezes a mão enquanto cumprimenta, apertar firmemente, usar uma ou as duas mãos, usar a outra mão para segurar o antebraço do companheiro, etc. Cada uma destas variações tem um significado especial. Em geral, quanto mais o contato discrepa daquilo que seria esperado para as circunstâncias, maior o seu significado. Quando maior o contato (mais intenso, mais demorado, mais partes do corpo são envolvidas, etc.), mais positiva é a mensagem.

Dimensões para avaliar os contatos físicos

Segundo Heslin (1974), os contatos podem variar desde gestos muito impessoais até gestos muito pessoais. De acordo com este critério, os contatos físicos podem ser classificados em cinco classes:
1-    Funcional-Profissional: são contatos “frios” utilizados para realizar alguma tarefa ou serviço. Quem recebe o contato é tratado como não pessoa. Um dos motivos para o contato ser realizado desta forma com o objetivo de não transparecer uma conotação sexual e, por este motivo, interferir na execução da tarefa. Exemplos: toques realizados pelo cabeleireiro e pelo médico.
2-    Social-polido. Este tipo de contato confirma a identidade de quem é tocado como membro da mesma espécie de quem o tocou. Neste tipo de contato existe muito pouco envolvimento pessoal entre quem toca e quem é tocado. Exemplo: o cumprimento através de um aperto de mão.
3-    Amistoso-Caloroso. Neste tipo de contato já existe um reconhecimento da individualidade de quem é tocado. Este tipo de contato também comunica que quem toca gosta de quem é tocado e o considera um amigo. Exemplo: abraçar uma pessoa pelos ombros enquanto caminham.
4-    Amoroso e íntimo. Este tipo de contato expressa intimidade e amor de quem toca por quem é tocado. Este tipo de gesto é menos estereotipado e é mais adaptado para as características pessoais de quem é tocado. Exemplo, beijar ternamente a outra pessoa.
5-    Sexualmente estimulante. Este tipo de contato expressa a atração física de quem toca por quem é tocado. Exemplo, colocar a mão na coxa da outra pessoa.

Progressão dos contatos físicos em relacionamentos amorosos

Morris (1971) afirmou que nos relacionamentos amorosos existe uma progressão de intimidades em direção ao relacionamento sexual. Alguns dos elementos desta progressão incluiriam contatos físicos. Esta progressão seria a seguinte: Olho no corpo, olho no olho, voz na voz, mão na mão, braço no ombro, braço na cintura, boca na boca, mão na cabeça, mão no corpo, boca no peito, mão nos genitais, genitais com genitais. Existem muitas exceções, inversões de ordem e omissões a esta progressão. 

Aqueles tipos de contato físico que só são permitidos entre pessoas que têm um relacionamento amoroso entre si podem ser utilizados para iniciar relacionamentos amorosos. Uma forma de iniciar relacionamentos amorosos é ir transformando gradualmente contatos físicos que são permitidos entre pessoas que não tem um relacionamento amoroso naqueles que são exclusivos de relacionamentos amorosos.

Quem toca quem e onde toca

Jourard (1966) fez uma pesquisa sobre as partes do corpo que pessoas afirmavam que eram tocadas com maior frequência. Este autor apresentou um questionário com uma figura mostrando 24 partes do corpo. Quem respondia ao questionário tinha a tarefa de apontar regiões do corpo onde foi tocado ou tinha tocado outras pessoas. Esta pesquisa também pedia para quem respondia classificar quem havia tocado: a mãe, o pai, um amigo do mesmo sexo ou um amigo do sexo oposto. Este autor verificou que as mulheres eram mais acessíveis ao toque por todas as pessoas. Amigos do sexo oposto e as mães eram considerados como as que mais tocavam.

Vários estudos mostram que tocar a outra pessoa é um poderoso sinal de intimidade com ela. É tão poderoso que pode facilmente ficar invasivo se não for bem calibrado para as circunstâncias. Por este motivo os contatos físicos são regulados por normas: existem regras rígidas que regulam quem pode tocar quem, em que região do corpo, em que circunstâncias, em que tipo de relacionamento. As zonas mais liberadas para os toques são as mãos, os antebraços e os braços.

Funções positivas e negativas dos contatos físicos

Os contatos físicos podem ter funções positivas e negativas. O contato físico nem sempre tem efeitos positivos. Por exemplo, uma pesquisa verificou os efeitos do toque antes de uma cirurgia mostrou que as mulheres tocadas tiveram efeitos positivos e os homens tocados tiveram efeitos negativos: eles ficavam piores do que os operados que não foram tocados.

Funções positivas dos contatos físicos

Alguns dos principais efeitos positivos do contato físico são os seguintes:

- É imprescindível para o desenvolvimento físico e psicológico saudáveis
- Ajuda a criar e a solidificar vínculos afetivos
- Pode ajudar a criar uma atitude positiva entre quem toca e quem é tocado
- Pode contribuir para que o relacionamento evolua para estágios mais avançados
- É uma forma importante de confortar emocionalmente a outra pessoa
- Pode ajudar a manter o relacionamento
- Pode ajudar a revigorar o relacionamento
- É um meio eficiente de demonstrar amor;
- É uma maneira eficaz para iniciar rapidamente um relacionamento amoroso.

Tocar a outra pessoa pode produzir efeitos mais poderosos do que muitas palavras e gestos. O contato físico adequado pode ser um dos caminhos mais rápidos para a reconciliação, após um desentendimento, quando há receptividade por parte daquele que é tocado, evidentemente.

Funções negativas dos contatos físicos

O contato físico pode ter efeitos muito negativos. Quando ele não é bem vindo, acontece em momentos inapropriados, ocorre entre pessoas que não têm um tipo de relacionamento que o permite ou é realizado em regiões do corpo que só podem ser tocadas por certas pessoas e em certas circunstâncias, pode ser extremamente aversivo e implicar inclusive em sanções legais.

NOTA
Se você quiser a citação completa da bibliografia cita neste artigo, escreva para o meu email: ailtonamelio@uol.com.br


Texto publicado originalmente em Blog do Ailton

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Sobre a pílula rosa



Atraso do "Viagra para mulheres" prova machismo da comunidade científica


 O medicamento Addyi, popularmente chamado de "Viagra feminino", chega ao mercado prometendo tratar a falta de libido das mulheres.



Por Daniella Franco


Com pouca eficácia comprovada, uma série de efeitos colaterais e um atraso de 17 anos em relação ao Viagra, o Addyi, medicamento que promete aumentar o desejo sexual das mulheres, foi aprovado nos Estados Unidos. Para muitos especialistas, essa demora em tratar um problema comum entre as mulheres reflete o viés misógino da pesquisa e da indústria farmacêutica, que se concentram há décadas apenas nos problemas sexuais masculinos.


Na semana passada, a flibanserina se tornou a primeira substância para disfunções sexuais femininas a ser validada pela FDA, agência norte-americana reguladora de medicamentos e alimentos. A aprovação, depois de duas rejeições consecutivas, reabriu o debate sobre a importância da sexualidade feminina e o mostrou o quanto a questão ainda é ignorada não só pela sociedade como também pela comunidade científica. Vários grupos feministas acusam a FDA de demora na validação do medicamento para as mulheres, enquanto vários produtos para melhorar a perfomance sexual dos homens foram aprovados facilmente.


Outras polêmicas chegam antes mesmo de o Addyi começar a ser comercializado, como a série de efeitos colaterais do produto, como desmaios, diminuição da pressão arterial, náuseas e sonolência. A eficácia do remédio também é contestada: testado em 2.400 mulheres com uma idade média de 36 anos, apenas 10% dizem ter percebido uma melhora em seu prazer sexual. Outro teste também mostrou que mulheres que tomaram o medicamento tiveram 4,4 experiências sexuais satisfatórias em um mês contra 3,7 relações sexuais prazerosas apontadas por pacientes que estavam ingerindo placebo.


Para o ginecologista francês Sylvain Mimoun, a percentagem de eficácia não diminui a importância da aprovação do produto. "Mesmo que o Addyi não seja uma revolução, ele representa um grande avanço para muitas mulheres que enfrentam problemas sexuais e que esperavam há anos um medicamento como esse. Claro, não podemos esperar que ele tenha uma eficácia de 80% ou 90%, mas mesmo que os primeiros resultados sejam baixos, o mais importante é que ele pode ajudar muitas pessoas", ressalta.


Como funciona

Produzida pelo grupo norte-americano Sprout Pharmaceuticals, a flibanserina é destinada à mulheres na pré-menopausa que sofrem com a falta de desejo sexual que não esteja relacionada a uma disfunção física ou hormonal. A FDA aprovou o Addyi especificamente para uma condição conhecida como distúrbio de desejo sexual hipoativo generalizado adquirido (HSDD na sigla em inglês).


O medicamento atua como antidepressivo no sistema nervoso central e modifica a concentração de alguns neurotransmissores, explica a psicóloga especialista em educação sexual, Carolina Freitas. "Ele age diretamente em três substâncias que temos no cérebro, essenciais para o bem-estar e o desejo sexual, promovendo o aumento da dopamina, da norepinefrina e a diminuição da serotonina. Essas transformações ajudariam a despertar o desejo sexual", diz.


O psiquiatra e sexólogo francês Gérard Tixier lembra que o Addyi não pode ser comparado ao Viagra, que trata a disfunção erétil masculina. "Para que o Viagra tenha efeito, é necessário que o desejo sexual exista. A flibanserina trata a falta de libido, que é um problema sério para muitas mulheres. Então, se esse antidepressivo pode ajudá-las a acordar seu desejo sexual, a chegada do Addyi é muito positiva", avalia.


Além do que se vê

Carolina Freitas ressalta que o Addyi trouxe de volta o debate sobre a sexualidade feminina, mas não acredita que o medicamento sozinho possa resolver todos os problemas relacionados à falta de desejo sexual das mulheres. "A libido feminina engloba muitas particularidades. As mulheres são mais emocionais. Então, além da questão física, é preciso considerar o envolvimento, o bem-estar e a própria vontade das mulheres. Ou seja, apenas a medicação não vai resolver completamente o problema", ressalta.


Para a psicóloga, a permissão própria da mulher de ter prazer é essencial para um vida sexual saudável. "Afinal, mesmo nas sociedades mais modernas, muitas mulheres não têm permissão de ter libido. Então, receio que essa medicação seja mais uma ‘permissão externa’, como se a mulher não pudesse nunca ser responsável por seu desejo sexual", reitera.


Tratamento regular

A Sprout Pharmaceuticals alerta que o Addyi começa a ter efeito após algumas semanas de utilização e que o tratamento precisa ser regular. Ele poderá ser adquirido apenas com receita médica e não pode ser utilizado por mulheres que ingerem bebidas alcoólicas.


O Addyi chega às farmácias dos Estados Unidos no próximo mês de outubro. No Brasil, o medicamento ainda está sendo analisado pela Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e não tem previsão para começar a ser comercializado. Já na França, especialistas acreditam que o remédio estará disponível aos consumidores dentro de um ano.




Texto publicado originalmente em RFI Brasil



 Os verdadeiros efeitos da pílula rosa
 para o desejo feminino





Carolina Freitas, Psicóloga, Sexóloga, 
especialista em Educação Sexual, Mestre em Psicologia - 31/08/2015



Acaba de ser autorizado a comercialização do remédio que promete aumentar o desejo sexual feminino. Também chamado (erradamente) de "viagra feminino", o Addyi atua de forma diferente do Viagra. Veja abaixo como ele age no organismo.


Link para assistir ao Vídeo


Com a aprovação do “viagra feminino”, vemos entrar em discussão, mais uma vez, algumas questões sobre a sexualidade feminina. Vamos então entender o Addyi, também conhecido como a pílula rosa.


Como ela age no organismo?


O “viagra feminino” atua na primeira fase do ciclo da resposta sexual humana, o desejo. A medicação altera a química do cérebro. De maneira simples, “mexe” nas substâncias químicas essenciais do cérebro, aumenta a dopamina e a norepinefrina e diminui a serotonina, com a finalidade de despertar a libido, o desejo sexual. Seu uso deve ser diário.


Já o “viagra masculino” atua na segunda fase do ciclo da resposta sexual humana, a excitação. A medicação altera o fluxo sanguíneo nos órgãos genitais, com a finalidade de ter e manter a ereção. Seu uso é situacional.


De que "é feito" o Desejo Sexual feminino?


Como estamos então falando em desejo é importante deixar claro que desejo sexual não é apenas feito de substâncias, não é genital exclusivamente. Ele é subjetivo, inclui sensações, emoções, relacionamentos, interações e motivação.


O bom disso tudo é a visibilidade dada à sexualidade feminina, principalmente ao desejo sexual feminino. Pois, de nada adianta pensar em prazer, em orgasmo se não tiver o desejo. E sim, tem como ajudar a mulher (e o homem também) a desenvolver seu desejo sexual, se quiser.


O receio é mais uma vez a mulher colocar a sua vida sexual nas mãos de terceiros – do homem, da taça de vinho, do chopp, da medicação. Mulher, a responsabilidade pelo seu desejo sexual é sua!


Como aumentar o desejo feminino?


Para tanto, permita-se ser um ser sexual. Saiba que o sexo faz parte da vida. É prazer, é comunicação. Quer se sentir mais segura e mais confiante e confortável com a sua vida sexual, busque sua autonomia e seu bem-estar. Se a medicação for realmente necessária ela será bem vinda e prescrita.


Por fim, o tratamento da disfunção do desejo sexual, bem como de qualquer outra disfunção sexual, não se resume à medicação. Existem estratégias de tratamento, que são individuais, que te ajudarão a ter uma vida sexual saudável.




Carolina Freitas 

Psicóloga Especialista em Educação Sexual CRP 09/8329



Texto publicado originalmente em Sexo sem Dúvida

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Convite - Evento Gratuito




"As novas configurações familiares,
o processo de separação e alienação parental"

Convite para profissionais e estudantes das áreas de educação,
 psicologia, direito e saúde que trabalham com casais e famílias.

Você sabe como falar sobre sexualidade com seus filhos?


Conversar abertamente com os filhos sobre o assunto e orientá-los é a postura mais adequada e segura, mesmo quando eles são ainda pequenos, mas sem apressar nada



A sexualidade precoce é um tema que preocupa pais e mães do mundo todo. Estímulos vindos de propagandas publicitárias ou de estilos musicais que erotizam as danças são fatores que aumentam a probabilidade das crianças entrarem nesse universo antes da idade esperada. Claro, as crianças começam a perceber a própria sexualidade de forma natural, sem associar ao ato sexual propriamente dito, mas a descoberta do próprio corpo começa desde o nascimento do bebê.

Por isso, quando a curiosidade começar a aflorar e surgirem perguntas sobre a vida sexual, o importante é manter um diálogo aberto. De acordo com o médico ginecologista Domingos Mantelli, a sexualidade é algo natural e não adianta os pais esconderem as informações. “No caso de música, vale a pena escutar junto com os filhos para saber o que estão ouvindo. O importante é orientá-los que algumas letras de canções mostram uma maneira errada de se pensar sobre sexo, que muitas vezes desvaloriza a mulher, por exemplo”, salienta.

O que não deve ser feito é deixar que os filhos façam descobertas de forma errada e não dá para ignorar o assunto. “O importante é que a criança receba as orientações desde pequena e dos próprios pais. Eles precisam falar sobre sexualidade de forma natural. Sempre evidenciando que existem limitações e precauções que devem ser tomadas”. Enquanto a criança é muito pequena, o melhor é explicar as diferenças biológicas entre o homem e a mulher e porque, muitas vezes, essas diferenças proporcionam sensações diferentes.

Conforme a crianças vai crescendo, essa conversa precisa deixar de ser tão técnica e passar a envolver a questão dos sentimentos, das vontades e da hora certa em que o sexo é introduzido na vida de uma pessoa adulta. Afinal, o mecanismo sexual é relativamente simples. O que complica são as relações e sensações que estabelecemos em relação aos nossos corpos e a criança começa a descobrir isso desde cedo.

“Caso os pais não se sintam seguros para falar com a criança, o ideal é levá-la a um ginecologista, no caso das meninas, urologista, no caso dos meninos  ou a uma sexóloga. Esses profissionais podem orientá-la”, complementa. O papel dos pais é fazer com que os filhos façam essa descoberta com orientação. “Deixar que o filho aprenda por conta própria é prejudicial porque ele não terá informação suficiente para se proteger tanto fisicamente quanto emocionalmente”, finaliza o ginecologista.

Algumas dicas práticas:

1) Entenda quais são as dúvidas dos seu filhos. Se ele quer saber por que um menino tem o órgão genital diferente de uma menina, não há porque aprofundar o assunto antes do tempo. As dúvidas vão surgindo ao longo dos anos.

2) Abra um canal de comunicação transparente com seu filho. Deixe bem claro que ele pode perguntar o que quiser, sem criar tabus em volta do assunto. Ele não precisa saber de uma vez tudo sobre sexo, mas ele precisa ter a certeza de que, o que ele quiser saber, pode e deve perguntar para você.

3) Conforme a criança for crescendo, ela vai trazer cada vez mais dúvidas. Esclareça-as sem mentir, deixe claro que sexo é bom quando estamos preparados para usufruir disso, ou seja, depois de adultos.

4) Não apresse nada. Em cada fase da vida a criança vai descobrir algo novo sobre o corpo: os órgãos genitais, o prazer de se tocar, a curiosidade pelo o que é diferente, as transformações hormonais e o amadurecimento sexual. Tente não se antecipar ao falar desses assuntos, mas também não ignore os momentos da vida do seu filho.


Texto publicado originalmente em Pais&Filhos


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Afinal, qual é o tamanho ideal do pênis?


Por Carolina Freitas
Mestre em Psicologia, Psicóloga, 
Sexóloga, Especialista em Educação Sexual


Esta é uma pergunta recorrente em sala de aula, quando trabalho Educação para a Sexualidade. No meio de infinitas dúvidas quanto à iniciação sexual, um dos dilemas do mundo adolescente é quanto ao tamanho do pênis.

De onde vem esta preocupação? Provavelmente do mito que o pênis grande dá mais prazer, que vem sendo passado de geração em geração. Como estão na puberdade, as mudanças corporais (e psicológicas) que se iniciam trazem consigo um medo recorrente nos meninos, o do tamanho do pênis.

Onde vão procurar informação? O primeiro lugar tem sido a internet. Porém, é um espaço que requer cautela, pois encontramos referências boas e ruins. E, sem conhecimento prévio, a tendência é se deparar com informações distorcidas.

O que devemos passar para estes meninos é que a relação sexual vai para além do tamanho do pênis e da penetração. Requer conhecimento do próprio corpo, do corpo do outro, de envolvimento e respeito. Somente desta forma estaremos criando pessoas para terem uma saúde sexual saudável e bons relacionamentos.

É importante conscientizar que o tamanho do pênis não tem essa relevância que a nossa cultura afirma. Que esta preocupação, se excessiva, pode trazer medo de desempenho. E ainda, que nenhum procedimento para aumento de pênis é eficaz, inclusive pode trazer problemas quanto ao funcionamento. Logo, ratifico, o prazer sexual não está no tamanho do pênis e sim no envolvimento.

Assim, é importante os adolescentes saberem que o tamanho do pênis não tem relação direta com o desempenho sexual e que o tamanho do pênis sem ereção não determina o tamanho em ereção. E passar a informação que a vagina é elástica, por ser músculo acomoda qualquer tamanho de pênis. O prazer está no primeiro terço da vagina, não no fundo. Inclusive, pênis muito grande pode incomodar no ato sexual, caso toque o colo do útero. No Brasil, a média é de 14 cm em ereção – entre 11cm e 16cm.

Por uma educação sexual de qualidade para nossos(as) adolescentes é preciso passar a informação correta e conscientizar. Só assim vamos primar por uma saúde sexual saudável, pois desta forma evitamos dificuldades sexuais na vida adulta. 

Carolina Freitas 

Psicóloga, Sexóloga, Especialista em Educação Sexual CRP 09/8329



Texto publicado originalmente em Sexo Sem Dúvida

sábado, 4 de julho de 2015

Como falar sobre sexo com os filhos

Pesquisa:
Estamos planejando um curso para ajudar os pais e as mães a lidarem com a educação sexual dos(as) filhos(as). 
As respostas são anônimas, não se preocupem. 
Para dar a sua contribuição, CLIQUE AQUI 

Como falar sobre sexo com os filhos


Por Marlon Mattedi, Psicólogo Especialista em Sexualidade Humana 

Um número significativo de pais, educadores e áreas afins acreditam que Educação Sexual é sentar para assistir um filme, dar uma aula sobre anatomia dos órgãos genitais ou fazer discurso sobre os “perigos do sexo”.

Puro engano, porque crianças são educadas sexualmente a partir do instante em que vêm ao mundo, através de todas as ações que presenciam, mesmo que mãe e pai possam não ter a consciência disto.

Como somos tocados, acariciados, como falam com a gente, como nos tratam e nos amam, entre outros atos, aí começa a nossa construção da Sexualidade. São também vivências como estas que proporcionarão para a criança uma visão da sua própria sexualidade e da sexualidade dos outros.

O que se percebe é que referindo-se a este tema muitos pais não o tratam naturalmente, desviando o assunto, quando deveriam ser estes os primeiros a discuti-lo.
Advertir somente sobre métodos anticoncepcionais, desvios e doenças, gravidez, DST´s, os chamados “perigos” do sexo não ajuda ninguém, pelo contrário, transmite medo, ansiedade, inclusive culpa. 

Também não é necessário que se tire um dia na semana ou no mês com o tema, “Vamos agora falar de sexo”, pode-se utilizar uma cena na televisão, um evento na família, um acontecimento entre pessoas na rua, para falar naturalmente do tema Sexo.

Sexo precisa ser tratado como outro assunto qualquer. Sexo precisa ser visto com o mesmo valor dado a qualquer outro assunto da vida.   

Quantas vezes pais pensam em conversar sobre atração, namoro, excitação, orgasmo, paixão ou amor com seus filhos?

A proposta é tratar a Sexualidade de forma sadia e digna. É mais fácil cuidarmos daquilo que admiramos. É mais fácil cuidar de um corpo onde percebemos a beleza, o encanto e os prazeres que ele proporciona. Assustar com possibilidade de doenças não é o caminho.

É preciso que se rompa esta sequência de associação de Sexo com problema, associação de Sexo com algo proibido. Que tal levar a estas crianças informações e vivências prazerosas, para que estas possam passar aos seus futuros filhos uma imagem sadia e bela de algo que nos pertence e que sem medida influencia toda a nossa vida?

Receba informações específicas sobre Educação Sexual para pais e saiba como lidar da melhor forma possível.

Marlon Mattedi
Psicólogo Especialista em Sexualidade Humana CRP 12/03841 


Texto publicado originalmente em Sexo Sem Dúvida