sábado, 7 de setembro de 2013

Mantendo a paixão no casamento



Mantendo a paixão no casamento


Foto: Matelly/Image Source/Corbis  


Não é todo casal que, depois de alguns anos de convivência, se vê em meio a uma relação morna. Para manter o casamento firme e cheio de paixão cada parceiro deve usar e abusar da criatividade para não deixar que suas atividades pessoais e profissionais comprometam o andamento da vida a dois.

"A rotina não é, exclusivamente, a grande vilã na perda do brilho da conjugalidade. Outra causa da alteração do erotismo do casal é o aumento da intimidade afetiva", afirma a terapeuta de família, casal e sexual, urologista e psicodramatista Sylvia Faria Marzano.

A especialista, que também é diretora do Instituto ISEXP - Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática, usa uma frase da psicóloga Esther Perel para se explicar: "O que contribui para uma intimidade gostosa nem sempre contribui para um sexo gostoso".

"O aumento da intimidade afetiva muitas vezes é acompanhado por uma diminuição do desejo sexual. Meus pacientes relatam que se amam muito, mas transam pouco. Esse excesso de proximidade, como uma fusão do casal, impede o desejo. A previsibilidade é inimiga do desejo sexual", alerta Dra. Sylvia.

Quando um sabe exatamente do que outro gosta e como vai reagir a determinadas situações, a chance de o casal cair na acomodação a longo prazo é grande. A manutenção das mesmas coisas destrói a nossa necessidade de novidade e mudança. "Há a necessidade de mistério nos relacionamentos, que sugere uma conquista diária dos parceiros. Mas, dá muito trabalho conquistar. Com isso o casal vai deixando de lado essa atitude de busca de uma novidade, por estar em uma zona de conforto."

Se a intimidade é sentimental em excesso, o que deteriora é o diálogo. Um passa a ficar com medo de dizer o que pensa para o outro, com medo de magoar, e acaba usando a comunicação apenas para fazer cobranças e recriminações. A situação torna-se tão desconfortável, que o casal, em especial o homem, procura fugir dessas "conversas".

Apesar de muito esperada, a chegada dos filhos às vezes também atrapalha o desejo sexual do casal. O comprometimento só não é tão intenso se antes do aumento da família o casal já tem o costume de praticar o erotismo, pautado na imprevisibilidade, na espontaneidade e no risco. Neste caso a mudança é passageira e, em pouco tempo, os amantes retornam ao universo da conquista diária.

"Também precisamos entender que o pai pode não conseguir erotizar a mulher de sua vida por ela ter se tornado a mãe dos seus filhos. Isso é um fato. Como ver o parto do filho e imaginar o prazer que costumava ter com a genitália de sua mulher?", avalia Sylvia.
Não existe um manual para ajudar o casal a resgatar a paixão. A conjugalidade implica numa desconstrução, de mitos e tabus de cada parte envolvida. Tudo depende de como o psicológico individual está aberto para mudanças e adequações. Segundo a terapeuta, sem uma construção anterior à chegada dos filhos, fica muito difícil um terapeuta orientar que o casal deva sair para jantar ou viajar. Sem individualidade e novidade não há erotismo, e então, o desejo sexual morre.

"Não adianta eu pedir para que o casal frequentar um motel, por exemplo, se a rotina estiver na bagagem dele: os dois chegam lá e fazem tudo igual como em casa. Não é só o local o problema, mas sim o mental!", diz a terapeuta, que completa: manter a chama acesa significa colocar combustível!

Ela explica: "Aguce os desejos eróticos por meio da fantasia sexual. Ela trás mistério, gera desejo, intensifica o entusiasmo. Representa o que não temos coragem de fazer na realidade. Mas ela não nem sempre ela precisa ser totalmente revelada. A privacidade pode ser um fator importante de equilíbrio da conjugalidade."

Fonte: http://vilamulher.terra.com.br

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Conflitos da maternidade


Meu artigo publicado ontem (02.09.2013) em A Redação: 
“Conflitos da Maternidade”.

Conflitos da maternidade
Crianças têm sido jogadas na lixeira
Carolina Freitas*

Fetos encontrados em lixeiras têm sido recorrentes em Goiânia nas últimas semanas. Atitudes como essas frequentemente me levam a refletir sobre a saúde psicológica das mulheres. A psicologia não tem a resposta correta para tais situações, mas pode contribuir para a reflexão dos atuais dilemas da maternidade: será que toda mulher tem de ser mãe e perfeita?

Como que num retrocesso, atualmente, a “boa mãe” tem de sentir dor no parto normal sem anestesia. Seria o primeiro de muitos sacrifícios da maternidade. Tem de ter leite em abundância para amamentar por pelo menos seis meses. Nada de mamadeiras. Tem de ser ecologicamente correta e não usar fralda descartável. Nunca perder a paciência nem sentir-se indisposta. Ah, e estar magra e linda, sempre!

Penso se não estamos indo de encontro às conquistas anteriores, retirando o poder de escolha das mulheres, já que não existe um único modelo de ser mulher. Existem mulheres! E, evidentemente, a maternidade varia de acordo com os valores e crenças de cada uma, não há um modelo único de mãe a ser seguido.

A mãe que teve o parto normal não é mais mãe que a mãe que fez cesariana. A mãe que dá a mamadeira não é menos mãe que aquela que amamenta. Mães que trabalham fora ou não são menos mães, simplesmente mães.

Cada mulher tem o direito de exercer a maternidade à sua maneira. Até mesmo decidir não exercê-la. Já que ser mãe não é uma extensão natural do ser mulher. A vivência da maternidade não deve ser uma imposição, pois gera mulheres frustradas e culpadas frente à tamanha pressão e até disfunções psicológicas. Ser ou não mãe deve ser uma escolha. Pois, na iminência de ficarem reféns de tantas exigências sociais, muitas simplesmente desistem da maternidade.

Por isso a importância do planejamento familiar. O advento da pílula anticoncepcional favoreceu a mulher na programação de ser ou não mãe. No caso de uma gestação não planejada, a mulher pode optar por ceder o filho para adoção.

É sabido ainda que a saúde psíquica da mulher sofre alterações durante a gestação. Se esse profundo sentimento de culpa for alimentado, pode gerar sentimentos de ambivalência materna intoleráveis. Essa relação de amor e ódio não administrada pode causar o abandono de fetos e crianças.

Será, então, que mulheres estão desistindo de serem mães devido a tamanhas exigências sociais e psicológicas? É uma resistência ao modelo tradicional de maternidade que está de volta? Vale a reflexão, já que a idealização da maternidade pode contribuir tanto para conflitos psicológicos quanto para o abandono de crianças em lixeiras.

*Carolina Freitas é psicóloga, mestre em psicologia, sexóloga e especialista em Educação Sexual.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Terapia de casal e sexual. Diferenças e benefícios


Terapia de casal e sexual. Diferenças e benefícios


Diário da Manhã

Breno Rosostolato

Discussões no relacionamento, crise dos sete anos ou de todos eles, ciúmes, infidelidade falta de diálogo e uma mesmice no casamento são algumas queixas comuns na clínica de psicologia, que surgem naturalmente entre os casais e fazem parte do complexo e intrincado universo da vida à dois. Em algumas situações a solidão e o isolamento sustentam uma angustiante sensação de infelicidade.

Ainda alvo de muita resistência, este tipo de intervenção psicológica é constantemente associada ao fracasso, pois o casal não admite que não consiga resolver seus próprios problemas e com isso sente-se constrangido em relação aos amigos e à família. O conflito vivido pelo casal é subjugado, acreditando-se que divergências vão se resolver naturalmente, o que não acontece. Além disso, a terapia de casal é considerada como um atendimento que separa o casal, o que é irreal. Este tipo de terapia propicia uma reconstrução no relacionamento, criando um espaço de diálogo e a aproximação entre duas pessoas que muitas vezes não se encontram e não conversam nem quando dividem a mesma cama.

O terapeuta pode ajudar a reafirmar o vínculo no relacionamento, clarificar os aspectos que incomodam e em alguns casos a separação é entendida como uma escolha plausível. Mas a própria terapia pode facilitar uma separação harmoniosa e tranquila, em que o término da relação não precisa ser de brigas e desavenças. Terapia de casal não é salvação para se evitar o divórcio e tampouco separar o casal. Ela fortalece as escolhas, permissões e o encontro entre duas pessoas que possuem uma história juntos.

O grande benefício da terapia de casal e esclarecer aos parceiros que o relacionamento não deve aniquilar a singularidade do outro e nem sucumbir as individualidades, afinal, é importante que as pessoas tenham autonomia e que não vivam atrelados às regras equivocadas do amor romântico, aquele que impõem aos amantes que vivam como uma única pessoa, que não existe felicidade sem a presença do outro e que a existência amorosa está condicionada a este relacionamento. O amor deve ser livre, sem impedimentos, exigências, imposições e idealizações. O amor primeiro é aquele que acontece em você. É a valorização de si. O amor que cria dependência não é satisfatório e causa muito sofrimento para quem o experimenta desta maneira. Não existem modelos a serem seguidos, mas de fato, existem aqueles que devem ser exorcizados, a começar pelos papéis e funções definidas entre homens e mulheres e que segregam a relação. A verdadeira união dos amantes acontece quando os propósitos são construídos juntos e que os interesses pessoais não sucumbam o do outro.

As queixas mais comuns são infidelidade – inclusive a virtual – brigas e discussões, discordâncias sobre a educação dos filhos, dificuldade financeira, problemas de relacionamento com a família, falta de respeito e de desejo sexual. Existem casos em que o casal se relaciona bem sexualmente, mas apenas desta forma. A vida social é penosa e triste. A falta de perspectivas e de crescimento na relação torna o vínculo sexual simplório e o único elo de satisfação. O afeto não se mantém e o conflito é iminente. É primordial o casal não deixar muito tempo passar para buscar ajuda e orientação. O sofrimento deteriora emocionalmente as pessoas e postergar a dor só causa mais angústia.

Muitas vezes terapia de casal é confundida com terapia sexual pelo fato de trabalhar conflitos no casal e o envolvimento sexual entre eles. Este tipo de terapia possui como objetivo propiciar uma discussão e a compreensão do desejo, entender sobre as próprias vontades e permitir-se ao prazer. A sexualidade é alvo de muitas repressões. Com isso o desejo, o prazer e o corpo sofrem as consequências de limitações e conceitos opressores que impedem as pessoas de serem felizes e viverem plenamente suas potencialidades sexuais.

Seja a de casal ou sexual os benefícios são prósperos e satisfatórios para quem procura estas terapias. Muitos mitos são rompidos e resignificados. Entre eles o mito do amor eterno, que não existe. O amor deve ser cuidado e cultivado entre o casal, mas a crença de que o sentimento será o mesmo do começo da relação é ilusão. Passado o arrefecimento da paixão e o furor do sexo a realidade deve sustentar esta relação, o prazer e a felicidade devem vigorar, mas saber lidar com o abrandamento do prazer é importante para que as pessoas não vivam sempre com a inebriante sensação do começo da relação ou frustrados porque algo está diferente. O convívio faz com que a relação se torne real e não apenas fantasioso. Deve-se conquistar todos os dias o amor do outro e não se acomodar. O mito de possessão também é desmistificado porque ninguém é objeto de ninguém, logo, não devemos viver uma relação amorosa com pretensões de que o outro nos pertence, fazer o que quiser com ele ou achar que a relação será eterna. Respeitar e procurar conversar sempre que houver dificuldades vão dando a tônica da relação e alicerçando o casal. O estigma da perfeição é outro mito que devemos combater porque ninguém é perfeito e nenhuma relação está isenta de tropeços e quedas.

(Breno Rosostolato, psicólogo; professor na Faculdade Santa Marcelina)