quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Transtorno Bipolar



Transtorno mental que mais causa suicídios, bipolaridade lesa o cérebro


Juliana Vines – De São Paulo

O transtorno bipolar é progressivo e leva à perda da função de neurônios, segundo novos estudos, liderados por pesquisadores brasileiros.

A doença, caracterizada pela alternância entre depressão e euforia (mania, como os médicos dizem), atinge 2,2% da população: são 4,2 milhões de brasileiros, segundo estimativa da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Crises bipolares não têm nada a ver com as mudanças de humor da pessoa "de lua", que passa uma manhã agitada ou se irrita facilmente.

Um episódio de mania pode durar dias ou semanas e levar a alteração do sono, perda do senso crítico e comportamentos compulsivos como comprar demais ou consumir álcool e drogas.

Como tantos outros nomes de patologias, a expressão "bipolar" é usada fora do contexto médico. "Há um entendimento errado da bipolaridade. É uma doença muito grave, com uma série de sintomas. Mudar de humor rapidamente não faz o diagnóstico", diz o psiquiatra Beny Lafer, coordenador do Programa de Transtorno Bipolar do Hospital das Clínicas de São Paulo.

BANALIZAÇÃO
A bipolaridade é a doença mental que mais mata por suicídio: cerca de 15% dos doentes se matam. Os pacientes têm um risco 28 vezes maior de apresentar comportamento suicida do que o resto da população e até metade dos doentes tenta se matar, mostram levantamentos.

"A expectativa de vida de homens bipolares é 13 anos menor e de mulheres bipolares é 12 anos menor do que a da população em geral, segundo um estudo dinamarquês. A expectativa de vida do bipolar é comparável à do esquizofrênico", diz o psiquiatra Fábio Gomes de Matos e Souza, professor e também pesquisador da Universidade Federal do Ceará.

Considerando a gravidade, os médicos todos criticam a popularização do termo.

"É banalizar a doença. Estar triste é uma coisa, estar deprimido e não conseguir sair de casa é outra", diz a psiquiatra Ângela Scippa, presidente da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar.

De acordo com as últimas descobertas científicas, as crises de euforia e depressão são tóxicas ao cérebro.

ENXURRADA NO CÉREBRO
O grupo do psiquiatra Flávio Kapczinski, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é referência na área e publicou artigos em novembro e dezembro nas revistas "Translational Psychiatry" e "Current Psychiatry Reports".

"Assim como o organismo do diabético sofre com os picos de glicemia, o cérebro de quem tem transtorno bipolar não controlado sofre com o excesso de neurotransmissores", diz Kapczinski.

As crises são acompanhadas da descarga de substâncias como dopamina e glutamato. Na tentativa de controlar o incêndio, o organismo manda para a região células protetoras. "Essas células produzem inflamação, causando a perda de conexões entre neurônios. São os achados mais recentes, nem estão publicados ainda", adianta.

Após cinco episódios do transtorno perde-se 10% do hipocampo, área responsável pela memória, estima o psiquiatra Matos e Souza.

A médio prazo, a doença fica mais grave e as crises, frequentes e fortes. O doente responde cada vez menos à medicação. "Ele passa a ter problemas de memória, planejamento e concentração, funções ligadas à parte frontal do cérebro", diz Kapczinski. 


DIAGNÓSTICO
Os primeiros surtos de transtorno bipolar surgem como crises de depressão em 60% dos casos, daí a dificuldade no diagnóstico. O transtorno aparece, em geral, até os 25 anos.
Quando a doença se manifesta como mania, os sintomas são confundidos com os de esquizofrenia (megalomania, alucinações). "O diagnóstico leva até dez anos", afirma Helena Calil, psiquiatra e professora da Unifesp.

A dificuldade de determinar a doença é comum entre os transtornos mentais, lembra Jair Soares, psiquiatra brasileiro e pesquisador na Universidade do Texas em Houston (EUA).
Não há um marcador biológico que possa ser medido em um teste. "Dependemos do diagnóstico clínico, da descrição dos sintomas pelo paciente", completa Soares.

A avaliação clínica não consegue diferenciar uma depressão bipolar de outras. "O tratamento com antidepressivo puro pode agravar a doença. É um risco. Às vezes, só assim para descobrir", diz a psiquiatra Ângela Scippa.

Os casos mais complexos envolvem crises de hipomania, uma mania leve que pode aparecer como ciúme ou irritabilidade. Sentimentos normais que, no bipolar, são exagerados e causam prejuízos à vida --essa é a fronteira entre normal e patológico.

O alerta deve vir quando a família se queixa de instabilidade: a pessoa mostra alterações visíveis e fases de normalidade. Outros sinais são: histórico familiar (80% dos casos são hereditários), alterações no sono e uso de álcool e drogas (metade dos bipolares é 
dependente).

HIPOMANIA LEVE
Antes, o transtorno bipolar era conhecido como psicose maníaco-depressiva e incluía casos mais graves. Agora, se discute se pessoas com depressão e hipomania leve (irritadas, ciumentas demais) devem ser tratadas como bipolares --metade dos que sofrem de depressão se enquadra no perfil. Ou seja, 10% da população.

"Já há evidências científicas para isso", defende o psiquiatra Teng Chei Tung, do Hospital das Clínicas da USP.

Para Soares, se a caracterização for expandida demais, corre o risco de abarcar gente que não se beneficiará com o tratamento. "Será que vamos tratar pacientes que, em vez de melhorar, vão piorar?", diz.

A psicoterapia aumenta a adesão ao tratamento com remédios e ajuda a pessoa a conhecer os gatilhos das crises. "É importante, mas complementar", diz Leandro Malloy-Diniz, psicólogo e presidente da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia. 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude



Vídeo -Variações de humor repentinas podem ser sinal do transtorno bipolar
Dra. Sofia Bauer






domingo, 13 de janeiro de 2013

Primeiro vibrador para casais une tecnologia e sexo na CES 2013

Primeiro vibrador para casais une tecnologia e sexo na CES 2013

Por Marco Nepomuceno Para o TechTudo


Esqueça essa história de que usar vibrador é uma experiência solitária de prazer. Apresentado na CES 2013 ( http://www.techtudo.com.br/tudo-sobre/ces-2013.html), em Las Vegas, o We-Vibe garante ser o primeiro vibrador para casais no mercado e que satisfaz tanto homens quanto mulheres na hora do sexo.

Tristan Weedmark, coordenadora de sexologia da empresa canadense Standard Innovation, explica que o aparelho estimula simultaneamente o ponto G da mulher, o clitóris e o pênis. “É o único vibrador que pode ser usado durante as relações sexuais”, afirmou Weedmark à AFP.
Rebatendo críticas de que o vibrador tiraria a atenção do casal no corpo um do outro, Weedmark disse que acontece exatamente o contrário. “Ele amplia as sensações durante o sexo, em vez de te distrair”, explicou.

Apesar de ter sido pensado inicialmente para casais heterossexuais, a coordenadora de sexologia salientou que nada impede que parceiros homossexuais de qualquer sexo façam uso da invenção.

A novidade surge em meio aos painéis sobre sexualidade nas CES 2013. "O sexo nunca envelhece", "A ciência se encontra com a sexualidade" e "O sexo em tempos digitais", foram os temas debatidos durante a feira de tecnologia.

O gerente de desenvolvimento do produto da empresa canadense, Grant Bechthold, ressaltou o momento oportuno para relacionar tecnologia com novas experiências sexuais. Ele explicou que a geração dos "baby boomers", pessoas nascidas entre 1946 e 1964, estão cada vez mais abertas a novas formas de relação.

Stand da empresa Standard Innovation na CES 2013 apresenta o We-Vibe:

sábado, 12 de janeiro de 2013

Informativo 12 jan 13

- Notícias -

Livro sobre educação sexual tem versão em Braille
Redação Bonde

Ajudar pais e educadores a lidar com a sexualidade na infância e adolescência de maneira prática e objetiva a partir de fundamentos básicos da Educação Sexual. Esse é o objetivo do livro "Educação Sexual no dia a dia" que será lançado no início deste semestre. Mesmo antes de ser lançada a obra já tem edição em Braille. Cada livro em braile tem três volumes. No total foram produzidos 8 exemplares, que serão destinados a deficientes visuais da Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC), alunos das áreas de Pedagogia, Psicologia, Serviço Social e outros.

A autora é a psicóloga Mary Neide Damico Figueiró, professora do Departamento de Psicologia Social e Institucional, do Centro de Ciências Biológicas (CCB), da UEL. Com edição da Editora da UEL (EDUEL) e Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC), o livro de 182 páginas é resultado dos estudos e debates do Grupo de Estudos sobre Educação Sexual (GEES), coordenado desde 1995 pela professora da UEL. O GEES conta com a participação de educadores, pais e profissionais da saúde e serviço social.

Mary Neide ressalta a importância didática da obra, enquanto recurso para sanar dúvidas de pais e professores sobre a Educação Sexual de crianças e adolescentes. "São situações e exemplos relatados por educadores e pais. Portanto, um meio eficiente de aprender sobre Educação Sexual de forma simples e descontraída", salienta. Segundo ela, o destaque é para as perguntas mais básicas sobre sexualidade feitas frequentemente pelas crianças no cotidiano escolar, no ambiente familiar e instituições sociais.

Entre outros assuntos, "Educação Sexual no dia a dia" também aborda em sub-capítulos a questão da prevenção do abuso sexual de crianças e do respeito à diversidade sexual. Portanto, além de fonte de pesquisa e referência em dissertações, monografias e trabalhos de conclusão de curso, a obra tem sido adotada em cursos de capacitação de professores da rede estadual de ensino.

Sobre a autora  - A psicóloga Mary Neide Damico Figueiró é professora do Departamento de Psicologia Social e Institucional, da Universidade Estadual de Londrina (PR), e mestre em Psicologia Escolar pela USP de São Paulo e doutora em Educação pela UNESP, campus de Marília/SP.


Médico indica educação sexual para evitar a gravidez precoce

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em torno de 22% dos adolescentes fazem sexo pela primeira vez aos 15 anos de idade, mas é crescente o número de jovens de 10 a 14 anos que também já praticam a atividade sexual. É nesta fase importante de autoconhecimento e incertezas que a falta de informação pode gerar uma gravidez inesperada ou mesmo a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis.
Para o médico ginecologista e obstetra Djalma Abrão, gravidez na adolescência é um problema de saúde pública a ser solucionado por políticas governamentais de instrução à comunidade. “O que acontece hoje é a transformação daquilo que é normal. O erotismo, que é uma atração normal pelo sexo oposto, é saudável, mas também é assunto que deve ser tratado com cuidado e na época certa. Costumo dizer que, na Bíblia, quando Deus criou o homem, Ele disse: ‘crescei-vos e multiplicai-vos’, ou seja, cresça primeiro, depois vá se multiplicar. Hoje, não, estão crescendo e se multiplicando ao mesmo tempo. É o primeiro erro, pois houve uma banalização do sexo”, afirma.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, realizada pelo IBGE em 2010, 6% do total de brasileiras na faixa etária de 15 a 17 anos, equivalente a 283 mil mulheres, tiveram filhos em 2009. Deste grupo apenas 35% eram casadas. O especialista destaca que a sexualidade tem sido veiculada como algo natural, especialmente pelos programas de televisão, filmes etc. “Tudo que se vê, qualquer propaganda, tem algum fundo erótico, o que pega em cheio a criança no início da puberdade, da adolescência, quando está inundada de hormônios e a atração física começa a aparecer. Na televisão pode não acontecer nada, mas na vida real acontece”, esclarece.
Djalma Abrão ressalta que há um desrespeito com a formação dos jovens. “Falta orientação sexual na escola, porque infelizmente temos outro problema: a família está ficando degradada, não há pai e mãe por perto ajudando na formação da criança. Muitas vezes, a educação sexual tem como base os amigos, sem que haja, na escola, a complementação da educação familiar para uma formação sexual adequada. Um profissional especializado, um educador sexual, para ajudar é extremamente importante, ele vai dar a orientação correta ao jovem”, completa Abrão.